quarta-feira, setembro 19, 2007

segunda-feira, setembro 17, 2007

"Fuor del Mar"

Ramón Vargas canta a célebre ária em que Idomeneo, já depois do "voto tremendo", é intimado pelos deuses a cumpri-lo. Temendo pela vida do filho Idamante, prometeu oferecer em sacrifício o primeiro súbdito que lhe aparecesse se Idamante se salvasse; logo se arrependeu de tal voto, mas Neptuno não se esqueceu. A tragédia adensa-se quando, para terror de Idomeneo, a primeira pessoa que encontra é Idamante... Nesta ópera, Mozart dá tratamento musical, com grandeza, a um episódio da mitologia pagã semelhante ao episódio bíblico de Abraão e Isaac, a que Kierkegaard deu outra grandeza em "Temor e Tremor". Os dois episódios, formalmente semelhantes, são essencialmente distintos, como os leitores de Kierkegaard saberão: de acordo com a sua terminologia, Abraão é o perfeito "cavaleiro da fé", enquanto Idomeneo personifica o "herói trágico" do qual o primeiro se distingue em absoluto. [Ver aqui.]

"D'Oreste d'Ajace"

No Youtube há desgraçadamente poucos vídeos com "Idomeneo", a ópera das óperas. Agora, apesar de tudo, apareceram alguns que já se podem ver (embora, nem sempre com a qualidade desejável, como este). Aqui, Anja Harteros interpreta Elettra na ária "D'Oreste d'Ajace", no fim do 3.º acto (da representação desta ópera em Salzburgo no ano passado). Apesar da qualidade sofrível do som (volume ao alto...!) e da imagem, esta representação parece-me muito boa e esta Elettra com bastante densidade dramática (além de dotes vocais), quase provocando compaixão no seu acesso de loucura face ao esboroar de todos os seus planos.

Pedro Arroja em cheio!

Quando discordo, critico; quando gosto, gosto mesmo. Recomendo vivamente estes sete excelentes posts no "Portugal Contemporâneo":

um
dois
três
quatro
cinco
seis
sete

quarta-feira, setembro 12, 2007

Sempre gostei de estados confessionais...


O Dalai Lama está em Portugal e parece que não vai ser recebido pelos representantes da república laica que por cá vamos tendo. Razão de Estado? Talvez se perceba. Mas Sua Santidade não fica a perder por aí além; tem a sua autoridade simbólica, mesmo que, como a outra, não tenha "divisões". No tempo longo o que contará mais? Alguém tem dúvidas?

"Dunque io son"

Bom, não é a interpretação que queria da Bartoli com Bryn Terfel (o Youtube não deixa postar), mas fica esta versão com a mesma senhora como Rosina e Gino Quilico no papel de Figaro. Neste dueto (deixem passar o recitativo, que aliás parece saído de Mozart) respira-se o tipo de ambientes bem dispostos que Rossini sabia criar e a música é excelente: pôr dois intérpretes a cantar ao mesmo tempo sem resultar numa gritaria e conseguindo-se perceber o que cada um diz (para isso seguindo o seu próprio trilho definido na música) é o que este senhor sabia fazer como o mestre. Bartoli tem uma interpretação límpida, numa personagem que outros sopranos assassinam por não saberem manter na ordem (por vezes nos limites do decoro) a sua coloratura.

Pinochet entrevistado (1988)

Pinochet entrevistado (1973)

Há 34 anos no Chile (II)

Neste vídeo, a posição do presidente da Democracia Cristã, Patricio Aylwin, no centro do espectro partidário de então.

Há 34 anos no Chile (I)

O golpe militar contra Allende foi uma decisão tomada como alternativa à guerra civil.

terça-feira, setembro 11, 2007

O 11 Set. por dentro

Muitas vezes, aqueles que perderam a liberdade não perceberam às mãos de quem a perdiam.

O 11 Set. de uma casa particular

"There are people there..." Essa é que é a verdade.

O 11 Set. de Kevin Cosgrove

O 11 de Setembro não é para mim um objecto de crença. Para muita gente, até parece ter-se tornado um género de totem. Desse dia ficam-me apenas muitas dúvidas. Só espero que os responsáveis por este crime hediondo sejam um dia conhecidos - inteiramente. Devemos isso à memória dos mortos.

sexta-feira, setembro 07, 2007

Cecilia Bartoli em "La Clemenza di Tito"

Depois de várias tentativas infrutíferas de postar o dueto "Dunque io son" do "Barbeiro de Sevilha" (com Cecilia Bartoli e Bryn Terfel), deixo aqui a ária "Parto, parto" da ópera "La Clemenza di Tito" (1791), a última de Mozart e, de forma muito interessante, um caso "arcaizante" depois das suas aventuras inovadoras. Em "La Clemenza di Tito", Mozart volta - e em grande - ao estilo da ópera de Corte (a "opera seria"); com "Idomeneo", uma das suas primeiras, é o melhor exemplo deste género neste compositor. Hei-de conseguir postar o "Dunque io son"...

Maria Callas canta "Non più mesta"

Da ópera "La Cenerentola" também.

Uma abertura de Rossini

A Filarmónica de Viena a todo o gás e dirigida por Claudio Abbado no memorável Concerto de Ano Novo de 1991, interpretando a abertura da ópera "La Gazza Ladra" de Rossini. Antes de voltarmos às árias de Rossini, um cheirinho das aberturas aceleradas que o mais simpático dos génios musicais fazia para as suas óperas. São obras sinfónicas por si mesmas e trouxeram à música um espírito de "carga de cavalaria" em que em vez de cavalos só correm notas e muito talento.

Cecilia Bartoli canta Rossini

"Nacqui all'affano" da ópera "La Cenerentola". Rossini é um compositor que aqui vai aparecer mais (assim o permita o Youtube). Acho-o um genuíno continuador (o grande herdeiro) - na forma e no espírito espontâneo - da ópera mozartiana.

Cecilia Bartoli canta Mozart

O Aleluia do "Exsultate Jubilate" pela mesma intérprete mostra a desenvoltura com que Mozart levou a sua revolução também à música litúrgica. E aqui Bartoli até está um bocadinho dominada demais pelos sentimentos que era suposto transmitir. Prefiro outras interpretações (por exemplo uma antiga de Edith Mathis).

Cecilia Bartoli canta Haydn

"Al tuo seo fortunateo" de "L'Anima del filosofo". Depois de se ouvir as obras líricas dos compositores barrocos e mesmos de autores já "classicistas" como Haydn é que se percebe a volta que Mozart deu não só à ópera, mas à música em geral.

Cecilia Bartoli canta Vivaldi

"Agitata da due venti". Uma das coisas que na ópera mais parece absurda no início é que, muitas vezes, numa ária, haja tão pouco texto, insistentemente repetido. Mas a ária é a exploração musical (daí os efeitos vocais neste caso) de uma ideia ou, mais propriamente, de um sentimento. E é suposto pegar nas palavras que o expressam, esticá-las, gritá-las, declamá-las, cantá-las, acelerando ou quase soletrando. A ária é uma forma de falar pondo a música (vocal e instrumental, numa só) como serva do sentimento. Quanto a esta senhora é sempre fantástica.