segunda-feira, fevereiro 27, 2006

Rever "O Leopardo"


Este fim de semana revi "O Leopardo", de Luchino Visconti (Nimas, Lisboa), mas, pela primeira vez, no cinema. Ainda há pouco tempo vira, na Cinemateca, "E Tudo O Vento Levou" e os dois épicos sobre o desaparecimento de mundos "aristocráticos" têm semelhanças interessantes. Passam-se exactamente na mesma época (primeira metade dos anos 1860) e deixam no espectador saudade pelo ser e pelos modos de alguns personagens representativos do melhor daqueles mundos e "engolidos" pelos acontecimentos. Uma diferença substancial - e que se calhar diz muito da América - é que Scarlett O'Hara não desiste perante a adversidade e sobrevive (na realidade, até prospera) na nova era; já o príncipe de Salina, intérprete da fatalidade siciliana, prefere sobreviver por interposta pessoa (o sobrinho que se coloca bem no novo regime) e "suicidar-se" (pode não parecer escolha dele, mas é: a recusa de um lugar no Senado e os motivos que para isso apresenta tornam-no responsável por esse desfecho). O filme tem cenas inesquecíveis: a entrada da família de Salina na terra e na igreja ou o baile final, no qual o Leopardo tem o seu último momento de "glória" antes de deixar para sempre a cena, quando a noiva do sobrinho cede ainda ao fascínio do príncipe e apaga por breves momentos a vantagem da juventude do noivo. Mas nada volta a ser como antes e o orgulho cede à vida.

sábado, fevereiro 25, 2006

Discurso histórico de Ron Paul perante a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos



O discurso pode ser lido aqui.

Será Ron Paul mais um "maníaco do ouro" ou uma das poucas vozes capazes de dizer, no meio político, o que também poucos dizem entre economistas?

domingo, fevereiro 19, 2006

Sobre as caricaturas dinamarquesas

Nos Evangelhos, Jesus fala dos escândalos como algo necessário à exortação da fé (Mateus 18:7). Esta sabedoria faz falta a muitos "crentes" que para aí andam.


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segunda-feira, fevereiro 06, 2006

Um filme sobre os fins


Independentemente de outras considerações que se possam fazer sobre o filme "Munich" de Steven Spielberg, há duas que eu quero aqui deixar. A primeira é registar a excelente reconstituição do início dos anos 70 que nele aparece; é-se realmente transportado àquela época em vários ambientes urbanos (os carros, os cartazes, os penteados, os modos...). A segunda é a reflexão que o filme me inspirou e que eu só sei exprimir como sendo a desumanização através da paixão política. Não sei se era essa a intenção de Spielberg, mas foi assim que eu vi e senti o seu filme. Um judeu reflecte sobre um conflito de consciência noutros judeus contemporâneos entre a sua ética religiosa (ou os seus vestígios) e as exigências da sua suposta expressão política no sionismo e na "razão de Estado" israelita. E esse é um conflito que alguns podem calar (como a mãe do protagonista, aconchegada na ideia de que defende um "lar nacional" que a protege das mágoas de um passado de que não se libertou), mas outros não: aqueles que no filme foram incumbidos da missão vingadora das vítimas do atentado de Munique e que, sendo os próprios agentes da violência e da vingança, sentem no corpo a sua própria brutalização. Mas o que é uma graça é que alguns daqueles homens, no meio de tal experiência, tenham ouvido os gemidos da sua consciência... A cena final, na qual o "não-agente" do Mossad convida o seu agente de ligação a partilhar o pão, diz tudo; melhor, a recusa diz tudo. Porque ficamos confrontados com o absurdo: se já não são capazes de partilhar o pão, o que defendem aqueles judeus? Haverá, do "outro lado", experiências similares a relatar?

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quarta-feira, fevereiro 01, 2006

D. Carlos I e D. Luís Filipe


Recordamos o rei e o príncipe real, 98 anos depois da tragédia. Com este pastel sobre cartão, de 1905, da autoria de D. Carlos. Chama-se "O Sobreiro".

terça-feira, janeiro 31, 2006

O suicídio dos liberais

Sempre considerei um erro que os liberais raciocinassem em termos políticos dentro do binómio esquerda/direita. Além de redutor e falacioso, esse binómio não é compatível com a tradição liberal. Daí também as minhas dúvidas relativamente a formulações recentes em torno de uma "direita liberal", como fui, há uns bons vinte anos, muito céptico perante o "liberalismo de esquerda" de João Carlos Espada e José Pacheco Pereira. Desgraçadamente, na blogosfera liberal, é agora corrente colocar o problema do liberalismo em Portugal nos termos da "direita liberal" emergente (mesmo das bandas de onde menos o esperava). Eu considero isto uma derrota dos liberais. Por rendição.

segunda-feira, janeiro 23, 2006

Mmm-mmm... Ain't that a piece of bad way...!


1. O NOVO PRESIDENTE

Cavaco Silva ganhou por décimas, é certo, mas, exceptuando a eleição de Ramalho Eanes em 1976, nunca um candidato foi eleito para um primeiro mandato com um abismo de 30% a separá-lo do segundo mais votado. Isto deve ser tido em consideração por quem já menoriza esta eleição à primeira volta.

Resta agora esperar pelo desempenho do presidente Cavaco Silva, que, estou convencido, vai surpreender muita gente. Cavaco vai querer ser o social-democrata do consenso (até porque segundo mandato oblige) e não estará propriamente a mudar a sua maneira de ser. Se passou por reformista enquanto primeiro-ministro foi porque dificilmente poderia ser outra coisa vindo o País do socialismo hard core onde o metera a revolução e pedindo a União Europeia as reformas que pedia. E a verdade é que, nessa conjuntura, fez o mínimo que podia, fortalecendo em paralelo toda a tendência anterior para a consolidação do Estado Social herdado da II República.

A grande tentação de Cavaco (e isso também não será inédito) será tentar agradar à esquerda que não votou nele, querendo provar que não é o presidente da "direita". Algumas "brincadeiras" desta campanha acentuar-se-ão e a disposição de Cavaco de partilhar com o governo o ónus de algumas (poucas) reformas em curso será muito limitada. Aliás, e isto é mais grave, parece-me que essa atitude de Cavaco como o social-democrata do consenso vai funcionar sobre o governo como um grande incentivo à moderação da já fraca vontade reformista do gabinete de Sócrates. O bloco central só não irá funcionar porque Cavaco não estará interessado nisso.

2. A NOITE DE ONTEM

O melhor discurso da noite foi o de Mário Soares. O homem pode ter muitos defeitos, mas sabe perder com dignidade. Não resvalou para o mau perder em nenhuma das frases que proferiu. E o seu discurso estava bem construído e equilibrado.

Já José Sócrates conseguiu protagonizar o pior da noite, ele que foi um dos maiores derrotados de ontem (já lá vamos). Ao falar à imprensa logo que Manuel Alegre começou a discursar (ao mesmo tempo que falava em "contar com todos"), Sócrates cometeu um erro escusado e aparentemente revelador de mau perder. Helena Roseta teve absoluta razão ao indignar-se com o comportamento das televisões, que seguiram subservientemente a estratégia do primeiro-ministro, colocando-o no ar e cortando a palavra a Alegre. Este foi o segundo candidato mais votado, com um quinto dos votos, e a noite era sua, não era do chefe do governo, que não era parte na eleição. Talvez Sócrates esteja, involuntária e desnecessariamente, a provocar uma cisão no Partido Socialista.

3. SEPARAÇÃO DE PODERES

A opção de José Sócrates apoiar um candidato à Presidência não é nova entre os chefes de Governo. Mas até pelo que sucedeu nesta eleição, talvez este hábito devesse ser repensado. Por que razão há-de o detentor de um órgão de soberania (o primeiro-ministro, chefe do Governo) ter um candidato a outro órgão de soberania? Talvez possa, mas tenho muitas dúvidas que deva. Porque isso compromete a sua própria legitimidade aos olhos de muita gente em caso de derrota do seu candidato, enfraquecendo o governo, mas também e sobretudo por causa da necessária separação de poderes. O primeiro-ministro é em parte responsável perante o Presidente da República e não faz muito sentido ficar depois sob um Presidente que combateu na contenda eleitoral. O que isto implica provavelmente é que os chefes do governo, nessas funções, não acumulem a liderança dos seus partidos e não se imiscuam directa e publicamente na eleição do chefe de Estado.

Esta separação de águas tem outra vantagem. No caso do partido do primeiro-ministro não ter um candidato único (aceite por todos os militantes), o desfecho da eleição presidencial causará menos estragos ao governo e à relação com o partido que o apoia. Uma lição que, para Sócrates, teria sido bem mais conveniente do que a alhada em que se meteu.

sexta-feira, janeiro 20, 2006

sexta-feira, janeiro 13, 2006

A ler


Luciano Amaral, no "Diário de Notícias", desenvolve e abrilhanta a ideia de que o soarismo presidencial foi um sub-produto do cavaquismo (aqui).

quinta-feira, janeiro 12, 2006

Eddy's back...

Ora, uma vez que só faltava eu, anuncio também o fim da minha auto-suspensão. I'm back too! E o L&LP navega de novo nas ondas do ciber-espaço...

EDMUNDO BUARQUE

Para ficar...

Como a recuperação desta série de posts do blogue da Causa Liberal deixa adivinhar, terminou a minha auto-suspensão do L&LP. Estou de volta. E por extenso.

Quem respeitam os Portugueses?

Publicado no blogue da Causa Liberal (21.12.2005):

Soares não percebe que o respeito dos eleitores não se ganha com a atitude "nacional-porreirista" que o caracteriza. Muito menos se ganha com a exibição ridícula de supostas virtudes intelectuais, que denuncia uma pequena alma... Soares saberá, no fundo, que, se chegou a ser "popular" (e só o foi depois de ser eleito presidente em 86), foi porque o País confiava no primeiro-ministro que tinha na altura. Que era... Cavaco Silva. Soares só pôde ser "popular" porque as maiorias absolutas do PSD (conquistadas por Cavaco) haviam instaurado a tranquilidade política e lhe permitiram, à sua sombra, construir uma figura calorosa e paternal, mas que não tinha de "meter as mãos na massa". Os Portugueses sabiam que o País estava realmente "entregue" a Cavaco (um autêntico "anti-Soares" no carácter e na política) e era na tranquilidade que isso lhes dava que arranjaram disposição para apreciar a ligeireza e a boçalidade do presidente Soares. (Não por acaso, na conturbada década anterior, o País escolheu como presidente o general Ramalho Eanes, outro "anti-Soares" que sempre veiculou a austeridade e a seriedade que aos Portugueses inspira respeito). O sucesso do soarismo presidencial foi, portanto, um sub-produto do cavaquismo. E isso, no confronto actual, não pode deixar de ter consequências. Esmagadoras e talvez inesperadas para Soares.

Homenagem à Sociedade Bíblica

Publicado no blogue da Causa Liberal (14.12.2005):

Chegou-me hoje um pedido de esclarecimento de um particular sobre esta edição da Bíblia. Trata-se de uma edição em português (versão Figueiredo), de 1860. É de uma das muitas edições que a Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira (SBBE) distribuiu em Portugal desde o início do século XIX. Estando a SBBE a trabalhar em pleno e de "portas abertas" no nosso país apenas desde 1864, este exemplar é mais um indício de que a SBBE tentou sempre, desde a Guerra Peninsular, fazer entrar em território português as suas edições (que também se destinavam ao Brasil). A outra versão clássica do texto sagrado em português, a de Almeida (a minha preferida), também era vendida e distribuída. A Sociedade Bíblica de Portugal (sítio aqui), sucessora da agência da SBBE em Portugal, bem merece receber hoje as homenagens devidas a este trabalho de quase duzentos anos de aproximar os Portugueses da Bíblia.

Foi você que perguntou para que serve esta instituição antiquada?

Publicado no blogue da Causa Liberal (09.12.2005):

No Economist (aqui):

"The House of Lords ruled that evidence that might have been attained by torture cannot be used against terror suspects in English courts, overturning a lower court's ruling that such evidence could be used if British authorities had not been involved. The decision is likely to make it more difficult to secure convictions against terrorist suspects."

Peciência se for mais difícil. Trata-se de um princípio que tem de ser afirmado, praticado e defendido. Se for para nos tornarmos como eles, mais valia baixarmos os braços. O famoso mote de Burke, segundo o qual para o triunfo do mal basta os homens bons nada façam, não significa que para esbarrarmos o caminho ao mal tenhamos de meter os pés no trilho do adversário... Pelo contrário: significa determinação no caminho do bem, mesmo quando se usa a força.

Oliveira Martins, coveiro do padrão-ouro português

Publicado no blogue da Causa Liberal (07.12.2005):

A multiplicação do crédito não teve de esperar pelo papel moeda de curso forçado; já se dava sob o padrão-ouro com o sistema de reservas fraccionais. E foram as crises bancárias criadas por esse sistema que serviram de justificação para acabar com o padrão-ouro, culpando-o de "instabilidade" e considerando-se necessária a intervenção estatal na matéria. Em Portugal, a crise bancária de 1876 (que dizimou a finança portuense) foi apresentada, entre outros, pelo coveiro intelectual do liberalismo (Joaquim Pedro de Oliveira Martins) como a prova da necessidade de um regime de papel moeda monopolista gerido pelo Estado. Herculano, em correspondência da época, ainda disse o obvio, que a crise se devia às reservas fraccionais e que era suficiente ou ilegalizá-las ou responsabilizar criminalmente os banqueiros que não pudessem entregar o ouro resgatado pelos seus depositantes. Mas a influência das ideias de Oliveira Martins (e do seu livro "A Circulação Fiduciária") fez o seu caminho e quando se deu a crise financeira de 1891 já havia no nosso país muito pouca resistência ideológica ao abandono então verificado do padrão-ouro. Oliveira Martins, com o saber impressionista e romanceado que lhe era próprio, que criou do regime liberal uma imagem negra e caricata, que antecipou como ideal político pós-liberal o cesarismo administrativo e o corporativismo de Estado, foi também entre nós o grande doutrinador da liquidação do padrão-ouro. Bem merece o cognome de "coveiro do liberalismo português".

Adelino Amaro da Costa (1943-1980)

Publicado no blogue da Causa Liberal (05.12.2005):

A verdadeira dimensão da tragédia do 4 de Dezembro de 1980 foi que, no mesmo avião e no mesmo acidente (?), morreram os melhores dirigentes dos dois partidos à direita do P.S.: Francisco Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa. O primeiro recebe sempre as justíssimas honras e homenagens; o segundo é mais esquecido. Mas Adelino foi o verdadeiro artífice do C.D.S. - e, por extensão, um dos pilares do projecto da Aliança Democrática -, o homem que não quis ser n.º 1 entre os seus, mas que, tarde ou cedo, chegaria a sê-lo.

Mozart e a grandeza da maçonaria

Publicado no blogue da Causa Liberal (04.12.2005):

A audição este fim de semana deste disco com a London Symphony Orchestra dirigida por István Kertész, George Fischer ao piano e ao órgão e a voz de Tom Krause fazem pensar na instituição para a qual Mozart compôs estes lieder, cantatas e hinos. De facto, a maçonaria a que Mozart pertenceu no fim do século XVIII está longe de ser a entidade diabólica apresentada pela propaganda contra-revolucionária dos países católicos do continente no começo do século seguinte. A ingenuidade das crenças na irmandade entre os homens e do fascínio pela "sabedoria" de um Oriente ou de uma Antiguidade altamente imaginárias não devem tornar-nos demasiado duros na apreciação dessa maçonaria de que descendem hoje as obediências regulares: ela foi um meio de sociabilidade das elites, fundamental para a pacificação da sociedade britânica após os ajustes constitucionais de 1688, tal como no continente após as guerras napoleónicas. O mesmo aconteceu em Portugal, onde, apesar de nunca se ter regularizado, a maçonaria oitocentista foi uma instituição respeitável à qual pertenceram aristocratas e prelados (que, também por cá, aí estabeleceram as pontes necessárias para uma pacificação evidente desde a unificação de 1869) e cuja decadência foi depois aproveitada pelos radicais, já na mudança para o século XX, para dela fazerem um apêndice de um partido, que não enjeitou até utilizá-la para a violência organizada. Mas nestas composições de Mozart está captada a grandeza maçónica, entre nós ainda reconhecida por Fernando Pessoa nos anos 30 do século XX. Entre outras, a sublime marcha fúnebre Maurerische Trauermusik K.477 não pode deixar de inspirar espanto e profundo respeito; curiosamente, Pier Paolo Pasolini, no seu filme A Paixão segundo São Mateus, escolheu-a como suporte musical da cena da Paixão. Porque não, se toda a grandeza virá de Deus?

Uma sugestão de leitura

Publicado no blogue da Causa Liberal (10.11.2005):

A propósito da troca de impressões com CAA, aqui fica uma sugestão de leitura: o livro de Patrick Wilcken, Empire Adrift: the Portuguese Court in Rio de Janeiro, 1808-1821. É um exemplo de boa historiografia recente, bem informada e bem escrita. Com a vantagem de não poder ser acusada de alinhamentos e simpatias domésticas. Deste livro, que está à venda em todas as grandes livrarias portuguesas (e cuja leitura, graças a CAA, acabei apressando), ressaltam algumas coisas: que os membros da corte portuguesa tinham pouco a ver com o retrato pouco lisonjeiro em que CAA se compraz; que não se pode ter uma leitura acrítica de uma "fonte" como as memórias da "condessa" de Abrantes (mulher de Junot) quando há outras muito mais credíveis que a contradizem; que D. João VI hesitou muito menos do que é comum dizer-se e que sabia bem o queria (nomeadamente, poupar o País à invasão napoleónica, mesmo recusando os "conselhos" ingleses, e que, quando isso se revelou impossível, soube fazer uma das maiores retiradas estratégicas da História, que este livro justamente retrata enquanto tal). Da obra de Wilcken, ressalta ainda outra coisa, que Manuel de Oliveira Lima já dissera há quase cem anos: que o Brasil ter-se tornado uma nação foi obra de D. João VI. Coisa pouca para um rei "inepto" (CAA dixit). Poderíamos acrescentar, já fora do âmbito deste livro, que foram também as opções delineadas por D. João VI (e que D. Pedro IV plenamente assumiu e transmitiu a D. Maria II) que deram forma ao constitucionalismo liberal que em Portugal se impôs depois dos devaneios jacobinos do vintismo e que nos legou alguma tradição de liberdade civil e política antes do advento do autoritarismo no século XX, esse já obra da República tão cara aos detractores de D. João VI.