segunda-feira, julho 30, 2007

Lloyd Cole and the Commotions (ter 20 anos e ouvir) I

"MAINSTREAM". A canção absolutamente preferida do álbum com o mesmo nome; até mereceu um artigo.

Lloyd Cole and The Commotions (ter 20 anos e ouvir) II

"PERFECT SKIN". É ou não é boa música para se ouvir com 20 anos?

Lloyd Cole and The Commotions (ter 20 anos e ouvir) VI

"MY BAG". Outra do álbum "Mainstream". É só ouvir...

Lloyd Cole and The Commotions (ter 20 anos e ouvir) V

"BRAND NEW FRIEND". Muito, muito bom. Ouvia eu isto enquanto o Heseltine e os outros andavam a tentar tramar a Maggie, o Reagan continuava em alta (depois da "landslide" do ano anterior) e por cá, com Lucas Pires, o CDS lançava a campanha mais liberal da história da democracia portuguesa. No Top estavam Stevie Wonder e Cavaco Silva, mas eu já tinha os meus padrões...

Lloyd Cole and The Commotions (ter 20 anos e ouvir) IV

"RATTLESNAKES". "She reads Simone de Beauvoir"; eu era mais Raymond Aron, mas ouvia na mesma (e aqui era mais para os 16 anos)...

Lloyd Cole and The Commotions (ter 20 anos e ouvir) III

"JENNIFER SHE SAID". Cinco estrelas; uma das melhores do álbum "Mainstream".

"Liberty and Economics"

Mais um vídeo do LvMI sobre L. von Mises e o processo do mercado.

"Money, Banking and the Federal Reserve"

Outro vídeo do Ludwig von Mises Institute sobre uma das questões económicas fulcrais para a Escola Austríaca de Economia.

"The Future of Austrian Economics"


O economista "austríaco" Murray N. Rothbard numa conferência famosa.

Diagnóstico de um tumor

[Publicado no Diário de Notícias 8.11.1988, supl. DN Jovem, p. 35]
“Deve ter-se cuidado com a mudança para um novo género musical, que pode pôr tudo em risco. É que nunca se abalam os géneros musicais sem abalar as mais altas leis da cidade.” – Platão, A República.
Independentemente do género em causa, toda a estética musical está relacionada com a ética política mas o aparecimento da música de intervenção – ou da música “orientada” – vem romper todo o equilíbrio inerente à arte porque submete a estética à ética. (O inverso também é uma ruptura que adultera a arte; veja-se os chamados “anartistas” cujas obras se limitam a ser elaboração sem sentido e das quais não se extrai qualquer sensação a não ser a frustração de quem quer ver um novo estilo nas maisons dos nossos emigrantes regressados.) Mas a música orientada não é só o somatório dos hinos revolucionários e da canção de intervenção, de José Afonso a Baez e Dylan, é antes tudo aquilo que vem na esteira da revolução musical que culminou na expansão de novos estilos a partir de meados da década de 60. Então, tal como acontecera nos períodos de declínio da Roma e da Grécia antigas, a civilização ocidental foi assaltada por contravalores que tornavam novos géneros musicais no seu cavalo de Tróia para a conquista das consciências. Nos começos dos anos 80, por via de um regresso parcial aos valores tradicionais, de uma acção cultural concertada e de vitórias políticas alcançadas dentro dos sistemas de poder nacionais – sobretudo nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha –, completou-se a reacção conservadora a todo este estado de crescente degeneração ocidental. Mas, se os estudantes universitários dos maiores países democráticos e mesmo do Leste assistiam cada vez em maior número às celebrações do culto cristão perante o cepticismo do professorado progressista e punham de novo a família no topo da lista das suas preocupações e prioridades, não é apesar de tudo certo que a prosperidade relativa das forças da tradição ocidental signifique um desfecho da luta com os contravalores de 60.
O que em grande parte aconteceu foi o cansaço do radicalismo de 60 e 70, dos sinais exteriores mais evidentes, mas o germe hedonista-niilista continua vivo e faz caminho entre as novas gerações, mesmo quando não passa de um ideal acarinhado. Pouco importa que os círculos intelectuais se tenham apercebido da falência do freudo-marxismo e aprendido a ver a vida acima do esgoto da líbido e da luta de classes se a música pop continua a incutir nas mentes em maturação o fundamental desse sistema de “valores”. E essa permanência dos contravalores seria sempre forçosa já que a mentalidade do grupo que cria e produz o pop não se alterou apesar das mudanças mais ou menos superficiais na estética e da sucessão geracional. Daí se compreende que, mesmo numa década de pretenso avanço do conservadorismo, os comportamentos libertários medrem nas nossas sociedades e sirvam de modelo ou meta a muita juventude teoricamente capaz de, por eles, renunciar às obrigações cívicas, à família, ao posicionamento cristão na vida e à própria respeitabilidade, tudo atitudes hoje ridicularizadas e até “demonizadas” (levando-nos isto à componente gnóstica da mentalidade da “aristocracia” do pop, formada por toda essa casta de cantores do mundo videomusical: é que de facto, tal como os ideólogos totalitaristas ou os puritanos ingleses do século XVII – que decapitaram reis em nome da nova verdade encontrada ou “revelada” – esses senhores tocadores e cantores crêem-se normalmente na posse da nova e autêntica virtude por oposição à moral e à ética tradicionais ainda estabelecidas e reduzidas nas suas bocas a “manifestações de repressão e hipocrisia” ou a “heranças do obscurantismo”).
A apologia da barbárie, que se nota em toda a estética videográfica desde os princípios da década presente, é hoje o espaço mental em que se desenvolvem os contravalores. Os cenários são os subúrbios das grandes cidades, com muros cheios de graffitis, bandos de negros sofisticados, carcaças de automóveis, velhos mendigos, fumos, bares pouco decentes com um odor de promiscuidade, quartos de paredes despidas e camas por fazer, cantores em acção ou público delirante. O culto da marginalidade. Um mundo de indivíduos vagueando entre a náusea solitária e o instinto que os une à tribo. Nenhuma mediação. Cada coisa entregue a si e tudo sem significado ou fim discernível. A recusa de tudo o que até aqui foi o mundo; a adesão ao contramundo, a sede de “qualquer outra coisa”... A música é o aliciante e depois o alimento, os poparistocratas tornam-se os novos santos («o Jim Morrison foi o maior génio do século XX», disse-me um dia um colega do liceu). Como dizia o outro, «o sonho comanda a vida» e a música bem pode comandar o sonho. Mas o que eles não sabem nem sonham é onde tudo pode vir a parar.
Para Pete Townshend dos The Who, que costumava espatifar em cena as suas guitarras (não se sabe se reencarnando um seu antepassado guerreiro), a coisa acabou menos mal: numa metamorfose que o levou até aos Jovens Conservadores. Outros, como os Lloyd Cole and the Commotions com Mainstream, continuam a criar verdadeiros regalos. Mas tudo não devia ser muito mais que isto: eles fazendo música e nós desfrutando-a – com todas as excentricidades, fobias e outras coisas pouco recomendáveis fazendo simplesmente parte do folclore. A tendência para promover e seguir o acessório, para dar importância a bons músicos que só dizem disparates sobre questões societárias, para reduzir a existência ao miserabilismo ético e ao optimismo pueril e desenfreado – tudo doenças ocidentais diagnosticadas por Alexandre Soljenitsyne –, conduziram até aqui àquilo que Georges Gusdorf chamou o Pentecostes sem o Espírito Santo, ou seja, «a vagabundagem intelectual, um delírio que se resolve em fantasmas ou ainda um conto de fadas que perdeu a inocência».

segunda-feira, julho 23, 2007

Zahir Shah (1914-2007), rei do Afeganistão


Faleceu Mohammad Zahir Shah, rei do Afeganistão, deposto em 1973. Durante as quatro décadas em que reinou, assegurou a paz e a prosperidade relativas que o Afeganistão não voltou a ter, massacrado por guerras civis, a invasão soviética e o radicalismo islâmico. Desde 2001, os novos senhores do País proclamaram-no "pai da pátria", uma figura de estilo inconsequente que não deu ao Afeganistão a chefia de Estado suprapartidária e moderadora de que o país precisava. O seu neto e sucessor legítimo, Mustafa Zahir, já prometeu continuar o exemplo do monarca falecido. Ver aqui.

O juramento de D. Juan Carlos I (1975)

Com este juramento, D. Juan Carlos I tornou-se chefe do Estado espanhol sob o regime franquista. Nos termos da legitimidade dinástica da monarquia espanhola, seu pai, D. Juan de Bourbon (opositor de Franco), tinha de abdicar no filho para este poder ser Rei dinasticamente legítimo. O que ocorreu posteriormente (ver aqui) e, na verdade, deu a D. Juan Carlos I a legitimidade histórica superior à de Franco para liquidar o regime que o fizera seu chefe e abrir o sistema político a uma transição consumada na Constituição de 1978.

D. Juan de Bourbon, conde de Barcelona

Agora que está a tornar-se moda atacar a monarquia espanhola e o rei D. Juan Carlos I, há que lembrar a figura de seu pai. Ao contrário do que querem os sectários republicanos, a legitimidade de D. Juan Carlos I não lhe vem de Franco o ter nomeado sucessor nem sequer do juramento que o rei fez ainda dentro do regime franquista para se tornar chefe do Estado espanhol (ver aqui); foi a abdicação formal de D. Juan de Bourbon, conde de Barcelona, seu pai - numa cerimónia que se vê logo no início deste vídeo (e que teve lugar em 1977) - que o consagrou rei legítimo de Espanha (ver a cerimónia aqui). A entrada em vigor da Constituição de 1978, plebiscitada pelo povo espanhol, confirmou a monarquia constitucional e parlamentar e a dinastia reinante. Esta é a verdadeira base de legitimidade da Casa Real espanhola. Tudo o resto é incitamento ao ódio e à demagogia (mistura em que os anti-monárquicos são especialistas).



P.S. Dito isto, é para mim evidente que deve ser repudiado o acto de censura (mesmo que emanado de uma autoridade judicial) de que foi recentemente alvo a revista "Es Jueves"; este tipo de medidas "preventivas" são um mau precedente e estão longe de "defender" a Casa Real.

D. Manuel II, o exilado

Um pequeno documentário sobre o exílio de D. Manuel II e a povoação inglesa que o acolheu. S.M. acedeu ao trono em 1908 e faleceu em 1932. Em sua memória, pense-se apenas numa escolha: entre tê-lo tido como chefe de Estado e ter tido os presidentes - de Manuel de Arriaga a Óscar Carmona -, de 1910 a 1932, o que teria sido melhor para o País?

Família Imperial Brasileira (II)

Explicação aritmética

Como os leitores mais astutos entenderão, esta série de cinco posts em baixo deve-se ao facto de, no post anterior à mesma, se ter aqui louvado um político republicano. É regra no L&LP, sempre que isso acontece, fazer-se um mínimo de cinco posts lealistas logo a seguir.

Hino Patriótico (1809)


Até o Hino da Carta, composto pelo futuro D. Pedro IV e oferecido ao País em 1821, se ter tornado o hino real e nacional, o Hino Patriótico desempenhou essas funções. A peça foi inspirada na parte final da cantata “La Speranza o sia l’Augurio Felice”, composta por Marcos Portugal e tocada pela primeira vez no Teatro de São Carlos, em Lisboa, a 13 de Maio de 1809, para celebrar o aniversário do então príncipe regente D. João. O príncipe e a rainha D. Maria I estavam no Brasil e a peça, estreada ao tempo das invasões francesas, era um voto de lealdade à Casa Reinante na pessoa do príncipe regente. Eis a sua letra:


Eis, oh Rei Excelso
os votos sagrados
q’os Lusos honrados
Vêm livres fazer.

        Por vós, pela Pátria
        o Sangue daremos
        por glória só temos
       vencer ou morrer. [refrão]

Aos mares vos destes
A bem dos vassalos;
Julgando livra-los
Do impio poder.

        Por vós, pela Pátria…

Malgrado o Tirano,
Em breve vireis,
Os Luzos fieis
Vós mesmo reger.

        Por vós, pela Pátria…

Hum Deos vos escuta,
Ó Principe Caro:
Deos he nosso amparo,
Não ha que temer.

        Por vós, pela Pátria…

Família Imperial Brasileira (I)

Quando as circunstâncias políticas tornaram inevitável a separação de Portugal e do Brasil (desde 1815 dois reinos unidos numa monarquia dual), a Casa Real Portuguesa - graças à sagacidade política de D. João VI - soube separar-se em dois ramos, tornando-se, dos dois lados do Atlântico, num garante de regimes constitucionais progressivos e tolerantes. Neste vídeo, uma homenagem ao ramo brasileiro dos Braganças.

Família Real Portuguesa

Os nossos príncipes e infantes ao som da popular "Maria da Fonte". Também gostaria de uma versão com o Hino da Carta...

97 anos separados do Rei

Um vídeo pedagógico sobre os acontecimentos edificantes que o actual regime se prepara para comemorar em 2010.


Via Democracia Real.