quarta-feira, julho 15, 2020

Um retrato da "imprensa de referência" portuguesa

Hoje, o jornal Público, para noticiar a acusação agora saída relativa ao "caso BES", destaca o que se vê nesta 1.ª página. É isto o mais importante na acusação? São estas pessoas as mais envolvidas na presumível rede de corrupção e destruição de riqueza em torno da gestão de Ricardo Salgado no antigo Banco Espírito Santo?

A única conclusão a que se pode chegar, da leitura de uma manchete destas, é que este jornal tem uma agenda política. Mas, dada a gravidade do que está envolvido neste caso, e em português chão (às vezes necessário), isto, além de jornalismo reles, é uma retinta filha-da-putice.


Uma sugestão de manchete alternativa (via Camilo Lourenço):

BES estava falido 5 anos antes da resolução

quinta-feira, julho 09, 2020

O banner anti-confinamento do L&LP


De 28 de março até hoje (9 de julho), o L&LP teve este banner (home made) na coluna da direita para deixar bem clara a sua oposição às medidas de confinamento da população. 1.º por ser uma violação de direitos fundamentais; 2.º por ser uma política sanitária desastrosa; 3.º por ter consequências económicas igualmente desastrosas. Esperamos não ter de voltar a exibi-lo.

terça-feira, junho 30, 2020

O "despertar" encenado do Sr. Ministro sem pasta para Lisboa


Fernando Medina, que ficou como valido de António Costa na Câmara Municipal de Lisboa, comportou-se durante o período da "crise sanitária" do Covid-19 como um autêntico ministro sem pasta do Governo. Nas suas funções como autarca neste período, é o principal responsável pela proteção civil no concelho e na área metropolitana de Lisboa. Até hoje, não fizera qualquer reparo à condução da política sanitária, não perdendo uma ocasião para aparecer ao lado da ministra da Saúde e do primeiro-ministro (os principais decisores nessa matéria).

Agora, o Sr. Medina está, aparentemente a participar num número (mais um) que pretende, provavelmente, sacrificar a ministra da Saúde e apresentá-la ao País como a responsável pelos falhanços da "política sanitária", salvando a face (e eximindo de responsabilidades) o primeiro-ministro. Aliás, este disse (para quem o quisesse ouvir) na última reunião do Infarmed, que não teria qualquer responsabilidade por esses falhanços. O L&LP abstém-se de entrar em detalhes sobre o que pensa desta "ética republicana" com que os socialistas portugueses fazem política.

O fanático que nos vai pôr todos a pagar o buraco financeiro da TAP insulta os liberais portugueses



O "senhor" ministro das Infraestruturas e da Nacionalização dos Prejuízos da TAP, depois desta prestação vergonhosa e ofensiva, tem de demitir-se. JÁ.

domingo, junho 28, 2020

Maddie merece que se desenterre o relatório intercalar de 2007


Até melhor prova, o caso do "desaparecimento" da menina Madeleine McCann na Praia da Luz, Algarve (então com 4 anos quase feitos), em 3 de maio de 2007, foi resolvido pela Polícia Judiciária no relatório intercalar (porque formalmente não definitivo) realizado quatro meses depois. Nada de substancial foi descoberto desde então além dos factos apurados naquela investigação oficial.

Por isso, o que deveria ser investigado, desde então, nomeadamente pela imprensa, não é o "desaparecimento" da menina. É a falta de vontade de prosseguir a investigação no sentido original que ela tomou e que produziu uma série consistente de evidências. Deveria ser investigada a insistência das autoridades britânicas, desde a primeira hora, na "tese" do rapto (aderindo a uma campanha nesse sentido lançada pelos próprios pais da menina menos de 24 horas depois), ignorando os resultados da investigação da PJ portuguesa (o que tem incluído um desfile de "suspeitos" de rapto ao longo dos anos, de que - agora com a entrada em cena da polícia alemã no caso - Christian Brueckner é o mais recente); deveria ser investigada a razão de as autoridades portuguesas terem desistido do caso após a picardia com a polícia britânica (o inspetor Gonçalo Amaral foi afastado da investigação e o procurador-geral Pinto Monteiro viria a mandar arquivar o caso a 21.7.2008, numa decisão puramente discricionária); deveria ser investigada a não colaboração dos pais da menina com a investigação portuguesa (nomeadamente, a recusa, conjunta com a dos amigos com que estavam naquela noite, de participarem numa reconstituição); deveria ser investigada a razão de os pais terem (aparentemente em colaboração com as autoridades britânicas) sonegado à investigação portuguesa a história clínica de Madeleine (relevante pelo coloboma que tinha no seu olho direito e pelo hábito dos pais de a sedarem e aos irmãos para dormirem); etc., etc. [Ver mais aqui.] Sem acusação pública, o caso "morreu" em Portugal, mas é bom lembrar que os tribunais portugueses -- naquilo em que puderam pronunciar-se -- estabeleceram uma orientação clara e promissora (nomeadamente a sentença de fevereiro de 2017 do Supremo Tribunal de Justiça, confirmando a decisão da Relação de Lisboa em 2010 do direito de G. Amaral publicar o seu livro A Verdade da Mentira, e que juntou no acórdão a constatação formal de que o arquivamento não equivalia a uma ilibação dos pais da menina no caso).

É difícil alguém minimamente inteligente, e informado sobre este caso, ignorar que o ex-inspetor Gonçalo Amaral apresenta factos muito mais consistentes do que as especulações alternativas. E alguém nessas condições achará também estranha a pouca curiosidade (já não digo das polícias e do ministério público, mas dos media) pela relação de proximidade, à época, dos pais da menina com o então primeiro-ministro britânico Gordon Brown. É que, de um lado, temos uma investigação real que produziu uma série consistente de evidências; e, do outro, sem continuidade com aquela investigação, temos uma "tese" de rapto não fundamentada e, a partir desta, uma procura de "suspeitos", bem como um conjunto de comportamentos (esses, sim, suspeitos), nunca explicados, de pessoas próximas da menina (e presentes no local do desaparecimento) e de agentes da autoridade do Estado com escolhas ainda mais difíceis de explicar pelo senso comum.

O desaparecimento da menina foi uma tragédia e, como diz Gonçalo Amaral, treze anos depois, estranhamente, sabe-se tão pouco sobre a própria vítima. Mas a verdadeira tragédia, à medida que o tempo passa, é perceber como este caso continua envolvido em tanta mistificação. A missão das autoridades policiais, e do Estado, é proteger a vítima. E isso inclui investigar até ao fim a verdade sobre o seu desaparecimento. De contrário, Madeleine será mais uma pessoa "anónima" (e, por sinal, tão frágil à época) tragada pelas conveniências dos mais fortes - sejam estes quem forem.

sábado, junho 27, 2020

5 para 1 tango



[1] Eu, a Senhora 1, ministra-sem-pasta do Apoio Parlamentar, fiz a figura de não saber nada sobre a ajuda do Estado ao Novo Banco, apesar de ela estar no OGE para 2020, que eu aprovei, como muleta que sou do Senhor 2 (mais um servicinho). Consegui, assim, criar o "caso" que levou o Senhor 4 a "demitir-se". Espero ir a ministra com pasta, tipo Espanha…

[2] Eu, o Senhor 2, que sou o verdadeiro encenador do tango e estou a meio de um número de ilusionismo com o Senhor 3, tive de dar ao Senhor 4 (que me prestou o servicinho de me fazer parecer um político de contas certas, mas que não sou) o Banco de Portugal (BdP). Depois, logo se vê, para já empurro (como de costume) com a barriga…

[3] Eu, o Senhor 3, que tenho um ego que se alimenta de popularidade barata e da loucura de superar os 70% de Mário Soares em 1991, percebi que só o conseguirei encostando-me ao Senhor 2 com o grande servicinho de ser o ministro-sem-pasta da Presidência Amansada; e dei-lhe uma perninha no número da fuga do Senhor 4. Não resisto a um bom número…

[4] Eu, o Senhor 4, fiz ao Senhor 2 (que era quem podia concretizar os meus sonhos delirantes com o FMI ou a UE, embora o BdP também sirva) o servicinho da alquimia-eficaz-para-tontos de engolir o aumento de despesa na dívida, na carga fiscal e, claro, nas cativações, apresentando um superavit (que já foi). No BdP podem continuar os servicinhos prestidigitadores talvez com relatórios incómodos para o tango…

[5] Eu, o Senhor 5, orgulhosamente o ministro-sem-pasta da Oposição Auto-anulada, fiz o grande servicinho de me juntar ao tango, viabilizar a fuga do Senhor 4 (que quer distância das Finanças nos tempos difíceis que aí vêm) e ter algum papel (pleeease!) no ilusionismo em curso dos precedentes.

[Todos] Conseguimos não assustar os interesses instalados e os cidadãos-que-não-suportam-a-realidade. Isto não pode voltar atrás. É por isso que este tango vai continuar! Custe o que custar.